A casa da vovó Kempf!
(Beatriz Kappke-janeiro de 2006)

Para mim era como se fosse o mais rico castelo.
Tinha varanda, sótão, escadaria!
Pátio enorme para brincar, água para se deliciar.
Muita árvore frutífera onde o vovô corria tirar frutas quando chegávamos.
As roupas de cama eram muito alvas.
Os travesseiros de pena de ganso, as cobertas também.
A cozinha era enorme com uma mesa também muito grande.
O fogão à lenha com fogo sempre aceso.
Não havia geladeira, o sagu era resfriado na água do poço.
Lavanderia? O que era isso naquela época?
Não existia.
O tanque era um tronco de árvore escavada.
Banheiro com chuveiro? Nem pensar.
Era uma delícia tomar banho numa bacia enorme
Com a água morninha que vovó preparava.
À noite jogávamos bolinha de gude no alpendre
da casa com a luz de uma lamparina a querosene.
De dia brincávamos de casinha no mato,
com tudo a que tínhamos direito,
inclusive estourando pipocas e tomando mate doce.
Mas o melhor momento era quando chegávamos lá aos domingos pela manhã.
Sentia-se de longe aquele cheiro gostoso de carne de panela que
somente ela, a minha vó sabia, sabia fazer.
E quando tinha casamento então!!
A festa começava cedo pela manhã e continuava até horas da noite.
Vovó não ia à celebração religiosa, mas esperava os noivos
no primeiro degrau da escada,
Com um lencinho na mão para enxugar as lágrimas de emoção de ver
um filho ou filha casando.
Depois era uma festa só, com banda de música e baile na
sala enorme
daquela casa (Die Stube)

E o Natal nesta casa então!

Aquela árvore enorme, num canto daquela sala.
Pinheiro de verdade, cheio de bolas coloridas,
velas que eram acesas com fósforo e muitos
 doces de açúcar pendurados para os netos.
Nós nos deliciávamos!

Quanta saudade! Quantas boas lembranças!
Saudade daquele aconchego esperado quando lá se chegava.
Era qual laço apertado num abraço afetuoso e em sorrisos se desmanchava
Aquele casal de velhinhos que eram nossos avós.
Saudade eterna de vocês dois e de tudo que vivemos lá,
naquela casa junto aos primos, tios, tias e queridos avós!
Que S.Joaquim e santa Ana, padroeiros dos avós os protejam,
estejam onde estiverem vovô Cristóvão e vovó Olinda!

(Na foto, os primos Irlene e Teolindo com seu filhoprimogênito.
Logo depois de tirar essa foto a casa foi desmanchada.)

São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós.

 


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