Alvará para matar!
(Beatriz Kappke)
O nasciturno é defeituoso
Teve a anomalia diagnosticada
Pela mão do homem astucioso
Ou pela máquina sofisticada.
A pequena vida humana em germe
De uma síndrome genética é portadora
A calota craniana está ausente
O cérebro está à mostra.
Será justo para uma mulher
Que se dispôs à maternidade
Querer para si estabelecer
Tamanha liberdade?
De suas entranhas expulsar
O feto anencefálico
Do curto lapso de tempo de vida privar
Este serzinho infortunado?
Ou será um Magistrado
Que terá o poder de determinar
Até quando alguém vai viver
E um alvará de morte assinar?
Pensemos nisso minha gente!
Qualquer tipo de aborto provocado
A pequena alma sente
Ver seu corpinho na lata de lixo jogado!
Em 19/02/07
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Obs: Tive um filho
anencefálico no início de 1978, com 9 meses de gravidez;
viveu apenas três horas; mas como cristão foi batizado, foi registrado e
enterrado
como um cidadão que foi de fato.
(escrito para ciranda
Aborto do grupo Ecos da Poesia)

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