Aquele aceno
(Beatriz Kappke)

As palavras morrem na garganta
Os olhos se encontram,
As mãos se aproximam
Uma lágrima rola 

O coração pulsa fortemente
querendo impedir que os minutos passem, 
que o tempo escasse...

O beijo de despedida foi rápido
O chão parecia se abrir
O cenário era belo...À beira daquele mar
A contemplar-te permaneci
Com o olhar marejado te segui

Voltaste-te uma vez...houve um aceno
De lá...de cá...
Mais alguns passos e a cena se repete
Depois...Depois nada mais...

Tua silhueta cada vez mais se distanciava
Na multidão sumiste...
Olho ao redor...e um grande vazio
Invade todo meu ser 

Um pranto, um pasmo...
Minha alma estremece
Compreendi que teu amor
Fez em meu coração
Audaz incursão

Deixando-me reclusa 
Na cela desta paixão
Inebriada, porém.
Com a mais pura e doce afeição.

Os dias passam, noites decorrem
Saudade imensa, dor silenciosa
Voz da garganta de quem não esquece
A lembrança de momentos abençoados

Vividos ao lado de um grande amor. 
Aceno da mão de quem fica
Pranto a verter dos olhos de quem parte
Levando consigo a esperança
De que a flama deste amor não morrerá jamais !

 janeiro 2002.

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