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(Beatriz Kappke)
Ao pôr os olhos nesta gravura
Do renomado artista Celito Medeiros
Lembrei-me com grande ternura
De tempos alvissareiros
Que na minha infância vivi
Na pequena e linda cidade natal
Santo Cristo- Rio Grande do Sul.
Numa carroça puxada por bois
Lá íamos meu irmão Elpídio e eu
Ele na função de comandante
E eu criança faceira, passeante.
A missão era ir ao moinho
Levar cereais para moer
E em seguida retornar
Sem tempo perder.
Enquanto o serviço era feito
A criança que eu era se deliciava
E punha-se a contemplar
Aquela roda tão gigante
Que não cansava de girar
Transpassando o silêncio
Com o barulho de seus eixos.
Movida por pequenas quedas d’água.
Que tão lindamente uma a uma caíam
Como num bailado bem ensaiado
Ao som de terna e suave melodia.
Se me permitido fosse, ali absorvida,
Absorta em meus pensamentos ficaria
Até o final do dia.
Mas o fubá estava pronto,
O trigo em farinha triturado,
O arroz descascado!
Era hora de à casa regressar
Para a massa do pão preparar
O arroz cozinhar,
A roda d’água do moinho esquecer!
05/05/05
(CM obrigada pela tela. Bea)
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Tela: Celito
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