Saudade eterna
(Beatriz Kappke)

(Para Vovó Olinda Stumpf Kempf)

Um sentimento estranho aflora
A dor no peito parece real
É esta neta que te adora
É a saudade em potencial.

Saudade daquela casa
Com o cheiro de carne de panela
Do fogão à lenha com fogo em brasa
Da mesa tão grande com bancos à janela.

Saudade do sagu de vinho
Que era gelado na beira do poço
Da banheira de zinco com encosto
Dos caramelos que jamais faltavam.

Do lampião a querosene
Que as noites alegres, enfeitava.
Para jogar bolinha de gude com os primos
E aquele ambiente tão bem iluminava.

Saudade daqueles Natais
Com aquela árvore toda enfeitada
Dos casamentos festejados
Naquela ampla e linda sala!

Sem ressalva amaste teus netos
Distribuindo carinho desmesurado
Eram todos teus afetos
Como filhos reeditados.

Até na arte de envelhecer
Qual roseira esmaecida
Foste digna até morrer
Com suavidade de branca pomba!

Qual lenço branquinho
Acenando em despedida
Partiste de mansinho
Para sempre desta vida.

E embora já tanto tempo ausente
Hoje, no dia do teu aniversário!
Continuas tão, mas tão presente,
Viva como nunca na memória!

17/05/05

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