Versos de noite e lua
(Edimarlos dos Santos Kappke)
Um calor arde no peito;
e queima por dentro a ferida
aberta pelo sopro da madrugada...
Na madrugada longa, dos lençóis amassados...
Um sono perdido,
que não encontro.
A madrugada fria, da pele aquecida pelo manto do sonho tardio,
Do coração rasgado, do pensamento claro e da noite escura...
Em meio a estes versos de noite e lua,
Atrelados um a um no açoite da alma,
Atirei ao vento a pedra das vaidades,
arranquei do meu peito a dor,
Chamuscada pelas chamas tórridas do sol do dia,
E soltei na noite calma, na noite que a alma pousou no jardim...
Não, eu não me sinto grande...
Não me sinto o sol...
Eu sinto a lua...
A lua dos amantes, dos namorados, será que foi minha...
A lua que eu tinha, que estava sozinha naquela noite...
Somente a lua banhou meu rosto.
Naquela noite tua, na noite em que a lua inspirou os poetas...
Mas que pretensão eu tinha, pensar que a lua era minha
E que me namorava naquela noite.
E uma lágrima escorreu pelo rosto como o orvalho na flor
E a lua se fez tua, a lua se fez nua e a lua se fez amor.